Artigo retirado do blog www.desendetarioamaratonista.com

Maçico Central Serra da Estrela

Até ver, a chuva pode ser um obstáculo difícil. E se correr “no molhado” pode ser incómodo, basta adicionarmos o vento forte para esse simples incómodo passar facilmente à categoria de problema sério. Graças ao efeito “wind chill factor“, facilmente uns simples 10º C sentem-se na pele como se fossem 5º C. Façam alguns cálculos nesta útil ferramenta e vejam como a sensação de frio facilmente desce a temperaturas de congelação. A título de exemplo, a prova de 166km em Espanha demorou 28 horas a concluir, metade das quais foram passadas de noite e muitas vezes debaixo de chuva. No entanto, além da chuva ser fraca, a temperatura era relativamente confortável para se fazer a correr e a ausência de vento não alterava muito estas condições. Tudo isto foi o que não se passou no UTAX. Para começar o meu equipamento nesta prova consistia em:

  • 1 corta vento (recordo que não é um impermeável);
  • T-shirt e calções (calças na 2ª metade do percurso);
  • Mangas removíveis;
  • Meias de compressão;
  • 1 manta térmica;
  • 1 par de luvas;
  • 1 lenço (tipo buff, para enrolar ao pescoço, envolver a cabeça, etc);
  • 1 boné;
  • 1 par de ténis;
  • 1 par de bastões;
  • 1 mochila para “tralha” e hidratação.(1 muda de roupa seca estaria também à minha espera no km 45, para prosseguir caminho mais confortável.)

Antes de mais, há que considerar que logo nas primeiras horas de prova choveu muito e toda a minha roupa ficou molhada desde cedo, porque o corta-vento não cumpria a função de manter a água do lado de fora da roupa. Isto não seria muito grave se a corrida se mantivesse em altitude baixa, mas assim que subíamos acima dos 700m ou 800m começava o mau tempo e, com ele, a chuva aumentava e o vento soprava mais forte. Para terem uma noção de como se pode tornar desagradável, as luvas molhadas expostas ao vento ficaram tão geladas que eu queria tirá-las e não conseguia, tal era o estado das minhas mãos dentro delas. Se a isto juntarmos a temperatura corporal a descer por causa da roupa molhada…

Depois dos 45 km a coisa não melhorou. Apesar de ter recomeçado com roupa seca e o corpo mais quentinho graças à comida, assim que saímos para a segunda metade da prova choveu novamente… e choveu mais do que na primeira metade. A juntar à chuva apareceu o vento forte e, com ele, o frio extremo. Não há milagres e, como tal, o estado em que cheguei aos 62 km foi a tremer de frio. Valeu-me o equipamento obrigatório (nota mental: deve ser SEMPRE obrigatório na mochila de qualquer atleta, mesmo que as organizações não o peçam) e nele a manta de sobrevivência que, uma vez “vestida” por baixo do corta vento, serviu para voltar a aquecer o corpo e fazer com que “a máquina” funcionasse novamente em condições.

Feita esta breve exposição sobre os erros e que fiz nesta prova e com os quais aprendi para eventos futuros (será que os Abutres vão ter neve?), partilho aqui algumas dicas que podem servir para aqueles que queiram correr uma prova com condições meteorológicas e não tenham equipamento adequado. Neste caso o meu conselho é: ou têm o equipamento adequado, ou então não arrisquem!

Equipamento na cabeça e pescoço

Nos dias mais frios, perdemos cerca de 40% do nosso calor corporal pela cabeça, portanto é importante mantê-la coberta. É também importante proteger a pele do frio e do vento, prevenindo lesões provocadas pelo frio extremo. Estes são alguns dos equipamentos mais adequados:

Gorro: um boné ou mesmo um gorro são perfeitos para manter a cabeça aquecida durante uma corrida em tempo frio. Caso fiquemos com calor, podemos sempre guardá-lo na mochila ou dentro dos calções.

Bandana ou buff: Muito usado no sky, este equipamento pode ser muito útil e versátil em dias mais ventosos, protegendo a cara e pescoço e até mesmo a cabeça. Podemos usá-lo a tapar a boca, aquecendo com a respiração o pescoço e orelhas e até inalando ar mais quente, útil para quando se corre com tempo muito frio e seco.

Baton para cieiro ou vaselina: Serve para proteger os lábios de secar e gretar por causa do frio. Também se pode usar no nariz e face, para prevenir queimaduras provocadas pelo vento e pelo frio.

Equipamento para o tronco

A chave para vestir corretamente quando se corre com tempo frio está nas camadas de roupa. Não só estas armazenam calor corporal, como permitem que a transpiração evolua pelas as várias camadas de roupa, saindo das camadas mais interiores para as mais exteriores e assim evaporar.

Camada de base: A camada mais próxima do corpo deve ser de material sintético, como DryFit, Thinsulate, Thermax, CoolMax, Polypropolino, ou seda. Esta camada irá eliminar o suor do corpo, permitindo que este se mantenha seco e quente. É muito importante que esta camada não seja de algodão, pois assim que o algodão ficar molhado, irá continuar molhado.

Camada secundária: A segunda camada é necessária se estiver frio muito extremo, digamos abaixo de 0º C. O material deve ser do tipo polar ou semelhante. Esta camada deve continuar a permitir a evaporação do suor, ser suficientemente quente para manter o calor corporal armazenado, mas respirável para evitar sobreaquecimento. Alguns materiais são: Akwatek, Dryline, Polartec, Thermax, etc.

Camada exterior: À prova de vento e de água, esta camada deve proteger o nosso corpo contra o vento e a água da chuva (ou mesmo neve) e em simultâneo permitir que o calor e transpiração se libertem, por forma a prevenir sobreaquecimento. É uma boa ideia usar um casaco com um fecho, para assim podermos ir regulando a temperatura, abrindo ou fechando o casaco conforme seja preciso. Alguns materiais conhecidos são ClimaFit, Gore-Tex, Nylon, etc.

Luvas: Eu não sabia, mas podemos perder 30% do calor corporal através de extremidades corporais como (sim) as mãos. Portanto é importante cobrir as mãos com luvas de materiais transpiráveis, principalmente nos dias mais frios. Quando está frio extremo, luvas sem dedos são a melhor opção (não é com dedos cortados, mas sim daquelas onde os dedos ficam todos juntos lá dentro), já que os dedos da mão irão partilhar o calor entre eles.

Equipamento para as pernas

Calças de corrida: Como as pernas geram muito calor, não necessitamos de tantas camadas de roupa nas pernas como no tronco. Podemos usar somente um par de calções ou calças de corrida feitos de material sintético como Thermion, Thinsulate, Thermax, Coolmax, Polypropileno, ou seda. Se estiverem temperaturas abaixo dos 0º C (temperatura ou “wind chill factor”), pode ser que queiram considerar levar duas camadas, em que a primeira podem ser uns calções ou calças de compressão e a segunda umas calças tipo corta vento.

Ténis: Os pés também estarão quentes, desde que estejam em movimento e secos, sendo essencial para isso evitar poças de água, riachos ou neve. Procurem ténis com pouca área de rede/malha, já que é onde a água entrará mais facilmente até molhar os pés.

Meias: Nunca usem meias de algodão (seja em tempo frio ou quente), pois estas nunca irão permitir a transpiração do suor, deixando os seus pés molhados e propensos a criar bolhas. Em vez disso, experimentem meias de materiais como acrílico, CoolMax, ou lã (no inverno).

http://en.wikipedia.org/wiki/Wind_chill

http://www.csgnetwork.com/windchillcalc.html

 

 

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